quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Carta a um amigo.


Questiono-me em certo momento,
De onde devem tal sentimento?
Algo sem motivo, sem culpa e tão grande.
Tal fardo sentimental, que carrego em mim,
Em minhas entranhas e artérias, veias e pulsação,
Por ter deveras vezes estado junto a ti,
Em sofridos e árduos caminhos que percorremos,
Que juntos carregávamos um ao outro,
Mesmo sem o contato físico inerente a tal descrição,
Apenas estavamos ali, tornando o da esquerda forte e o da direita persistente,
Mesmo que trocados os lugares, mesmo que ao inverso.
Talvez sim, mais inconseqüente do que consciente,
Talvez daí derive o verdadeiro significado do que seria a coisa em si, a tal da amizade.
Mesmo de fronte a chuva, mesmo debaixo de pancadas,
Regozijo hoje das afrontas destinadas a nós, que juntos nada além passavam de trotes,
Que brincando, passávamos ser arder,
Sua amizade tornou os desafios pequenos,
A infantilidade causada por ela, sua companhia, não impôs barreiras.

Juntos caminhamos pela semiótica,
E pela sociologia culturológica da grande massa atomizada,
Escravizada e subordinada aos meios de comunicação de massa.

Estavamos juntos, mesmo quando não presentes,
Estavamos juntos, mesmo estando ausentes,
Estavamos juntos.
Estamos juntos.

Hoje rabisco a ti, algumas palavras,
Meio sem nexo, meio em vão,
Que remetem a mim, todo afeto e amizade que doou-me,
Talvez sem sentir, sem pensar, apenas estava lá,
Naquela hora, naquele lugar.
Em meio a tantas palavras a dizer, sentimentos a demonstrar,
Sei que nada iria preencher,
O quanto devo a você.

Obrigado amigo por ter estado,
Por ter existido,
Pela sua amizade.
Sinceramente,
Obrigado,
Apenas obrigado.
Por ter estado,
E por ainda estar.

Homenagem a meu grande amigo Alberto Ribeiro. Grande companheiro, dedico a ti com enorme carinho.
Robson Zanette

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