Mais inconsciente que inconseqüentemente deriva meu gosto e apreço por poemas rápidos e indigestos que cortam verbos e dilaceram a gramática sem se preocupar com ritmo ou sonoridade verbal nem com rima ou com acento gramatical é somente e lamentavelmente uma poética insana que quando acerta é como UM de direita na face direto sem perdão que te joga pras cordas e o público delira ao ver a erupção de seu sangue já coagulado porque assim são meus poemas rápidos gritantes e treinados mesmo que manipulados por uma massa sugestiva de opiniões e regras desta merda de jogo mesmo assim e assim mesmo as palavras seguem ininterruptamente instintivamente até que se forme e germine como um potro selvagem e rebelde e seja parido pra fora de um eu egocentrista e hedonista louco por alguns prozacs e respostas rápidas para perguntas perplexas complexas e sem nexo por natureza mas que fazem parte desta natureza que sou eu ou você ou eles e ou elas juntas formando um nós que nos amarra a toda essa armadilha que é viver e inconseqüente como uma doce criança essa coisa rápida e insana segue estrilando de minhas entranhas e jorrando para os rascunhos deste velho caderno cheio de lembranças e lamentos ... assim são os ditos “meus” poemas sem explicações e sem pudores de lamentações ou de amores com um pouco de ódio rancor medo temor uma perigosa receita que pode ser mais medonha ou danosa do que aquela velha metralha daquele PM corrupto e trabalhador que recebe pouco e enfrenta os traficantes viciantes habitantes gestantes e agregados e chega em casa cansado e por ventura matou uma jovem causa-mortis tédio e se desfez do corpo em um velho brejo daquela favela que é cheia de casinhas de tábua velha e algumas de concreto com um ou dois andares e tal também conhecido como puxadinho do jeito que você viu tim-tim por tim-tim como passou naquela sua TV de plasma comprada a velha e amiga prestação que com a crise mundial já lhe traz mais medo do que os traficantes do tal morro vizinho ao seu prédio talvez meus poemas sejam assim tal qual um fuzil que atira pra todo lado mas nunca quer ver aonde a porra da bala acertou ou igual aquele que diz ter matado a namoradinha por amor e que não agüentaria viver sem ela ao seu lado eu sei é meio louco e por diversas vezes ao longo das vinte quatro horas diárias vem em mim uma certa ânsia de procurar uma casa de saúde sanatorial mesmo sabendo que tal palavra nem deva existir mas que foda-se se quisesse seguir suas regras não estaria aqui escrevendo mas sim dentro de um sanatório tomando umas generosas doses de alguns gardenais que é aquele remédio pra gente ficar bom de cabeça o que sei seria bem mais fácil porque neste momento até mesmo respirar o mesmo ar que você me faz sentir cada vez mais só e neurado.
Sinceramente, nem sei ao certo o que deveria ser um poema. Apesar de ter estudado um pouco de sua estrutura e sua função, pouco disto guardei ou levo comigo como uma crença religiosa rígida e severa. Muito do que faço é assim, meio complexo e muita das vezes dirá somente a mim e a uma meia dúzia de outrens (talvez, também, a alguns cachorros maltrapilhos). Perdoe-me se sigo assim, espargindo rascunhos de sangue, do meu sangue. Caso este, não esteja dentro dos padrões sociais aceitáveis, favor procurar-me em busca de explicações e retratações. Sem mais para o momento, afavelmente agradeço.
Robson Zanette - Rascunhos de Sangue (2008)
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário