segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Americanos desenvolvem sistema no melhor estilo Minority Report


O Departamento de Segurança dos Estados Unidos não está tão longe de de chegar à sinopse do Minority Report, famoso filme estrelado por Tom Cruise nos cinemas. Os americanos estão desenvolvendo um sistema para detectar pensamentos hostis nas pessoas que estarão na fronteira do país, aeroportos e lugares públicos.

O filme de Steven Spielperg, lançado em 2002, era ambientado no futuro e mostrava a divisão policial Precrime, que conseguia detectar um crime antes do ocorrido, efetuando a prisão do possível homicida antes dele cometer o ato.

Se esse sistema for implementado no mundo real, a segurança de qualquer aeroporto, por exemplo, pode descobrir um terrorista antes dele cometer um atentado, o que pouparia diversas vidas, tempo e muito dinheiro. Isso evitaria confusões enormes.

A intenção do projeto se baseia na detecção do indivíduo suspeito, para depois interrogá-lo. A máquina usada tem sensores que podem analisar o comportamento de uma pessoa através da freqüência cardíaca, respiração, temperatura da pele, voz e expressões faciais. Participaram dos testes 140 voluntários para simular a situação, e algumas coisas ainda precisam de ajustes. O aparelho acertou 80% das pessoas com sinais suspeitos.

O projeto anteriormente se chamava "Project Hostile Intent" e agora foi renomeado para "Future Attribute Screening Technologies", também conhecido como FAST, para dar ao programa um nome mais amigável, segundo o departamento americano. Isso tudo é para tranquilizar ou ficar com medo?

Fonte: www.yahoo.com

Morre em SP menino atingido por geladeira na escola

O menino Henrique Farina Pereira, de um ano e sete meses, morreu na manhã de hoje no Hospital e Maternidade Sinhá Junqueira, em Ribeirão Preto, no interior do Estado de São Paulo. O garoto havia sido internado no último dia 9 após uma geladeira duplex, de cerca de 100 quilos, cair sobre ele em uma escola particular em Bebedouro.

O garoto sofreu um corte de cerca de dez centímetros e teve traumatismo craniano. Segundo nota divulgada pelo hospital, Pereira, que era mantido na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), "faleceu devido a complicações de seu quadro clínico".

Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/s/29092008/25/manchetes-morre-sp-menino-atingido-geladeira-na-escola.html

LHC - a máquina do fim do mundo




Entrará em funcionamento o maior acelerador de partículas do mundo, o LHC - Large Hadron Collider ou em português, grande colisor de hadrões. Orçado em 4 bilhões de euros, é a maior máquina do planeta, com um perímetro de 27Km de extensão e com um total de 9300 magnetos supercondutores no seu interior. Segundo muitos, esta é a máquina do juízo final.



Não é somente o maior acelerador de partículas mas também um dos maiores sistemas criogénicos, em que a temperatura dos magnetos supercondutores será de aproximadamente 271 graus negativos, utilizando cerca de 10.080 toneladas de nitrogénio líquido e 60 toneladas de hélio líquido. No entanto, o LHC é também uma máquina de extremo calor, pois aquando da ocorrência da colisão de dois protões, será gerada uma quantidade de calor de cerca de 100.000 vezes a temperatura do núcleo do sol.

O LHC contará ainda com o maior sistema de detecção jamais construído. Terá que ser capaz de detectar e gravar cerca de 600 milhões de colisões de protões por segundo e medir o deslocamento de partículas e o tempo com uma precisão assombrosa. Para ter uma noção da resolução métrica e temporal, poderíamos dividir o metro em largos milhões e o segundo em largos bilhões, para igualar a capacidade do LHC.

Adicionalmente, um sistema desta magnitude terá que contar com a maior capacidade computacional jamais reunida. A quantidade de informação produzida por cada uma das grandes experiências efectuadas no LHC ocupará cerca de 100.000 DVDs de dupla camada por ano (ver datacenter abaixo).

Entre muitas outras coisas, um dos principais objectivos do LHC é tentar explicar a origem da massa das partículas elementares. Para isso irá contar com aproximadamente 2 mil físicos de 35 países e dois laboratórios autónomos, o JINR (Joint Institute for Nuclear Research) e o CERN (Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire).

Alguns cientistas acreditam que este equipamento pode provocar uma catástrofe de dimensões cósmicas, como um buraco negro que acabaria por destruir a Terra. Inclusive está actualmente a decorrer um processo no tribunal do Hawaii que tenta impedir a experiência, até que hajam mais provas de que não existem riscos. Outros ainda acusam o CERN de não ter realizado os estudos suficientes de impacto ambiental. Outra teoria ainda é a de que poderia ocorrer a formação de strange quarks; possibilitando uma reacção em cadeia e geração de "matéria estranha", que pode possuir a característica de converter a matéria ordinária em matéria estranha, gerando nova reacção em cadeia na qual todo o planeta seria transformado.



Apesar das alegações "catastróficas", físicos teóricos de notável gabarito internacional como Stephen Hawking e Lisa Randall, além de vários outros físicos e engenheiros, afirmam que tais teorias são meramente absurdas e que as experiências foram meticulosamente estudadas e revistas, estando sob controle.

Entretanto, se um buraco negro fosse produzido dentro do LHC, ele teria um tamanho milhões de vezes menor que um grão de areia, e não viveria mais de 1x10^−27 segundos pois, por ser um buraco negro, emitiria radiação e evaporaria. Mas, supondo que mesmo assim ele continuasse estável, continuaria sendo inofensivo. Esse buraco negro teria sido criado à velocidade da luz (300 mil km/segundo) e em menos de 1 segundo ele atravessaria as paredes do LHC e se afastaria em direcção ao espaço. A única maneira de permanecer na terra seria se a sua velocidade fosse diminuída para 15 km por segundo. Supondo que isto ocorresse, ele iria para o centro do planeta, devido à gravidade, mas continuaria a não ser ameaçador. Para representar perigo, seria preciso que ele adquirisse massa, mas com o tamanho de um protão ele passaria pela terra sem tocar em nada (não parece, mas o mundo ultramicroscópico é quase todo formado por vazio), podendo encontrar um protão para somar à sua massa a cada 30 minutos a 200 horas. Para chegar a ter 1 miligrama, seria preciso mais tempo do que a idade actual do universo.

Publicado em tecnologia por bjr

Mulher bate mais em briga de casal, indica pesquisa



As mulheres reagem mais em brigas de casal. A diferença é que as agressões delas contra os companheiros, mais constantes, são leves, como empurrões e tapas, e as deles, mais graves e violentas. A revelação consta do 1º Levantamento Nacional sobre Padrões de Consumo de Álcool no Brasil, feito pelo médico Marcos Zaleski, a partir de entrevistas com 1.445 pessoas em todo o Brasil.

O estudo, feito com apoio da Unidade de Estudos de Álcool e Outras Drogas (Uniad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), revelou que 5,7% das entrevistadas admitiram ter batido pelo menos uma vez em seu parceiro nos 12 meses anteriores à entrevista. No caso dos homens, o índice foi de 3,9%. "Foi uma surpresa. Todos imaginavam que o número de homens agressores seria maior que o de mulheres", diz Zaleski.

No total das agressões - que inclui episódios em que a pessoa bateu, apanhou ou houve violência mútua -, a mulher também aparece como mais impetuosa. Elas se envolveram em 14,6% dos casos de Violência entre Parceiros Íntimos (VPI) e eles, em 10,7%.

A questão da bebida é controversa. Mulheres assumiram estar embriagadas em 9,2% das brigas com violência - homens disseram que suas parceiras haviam bebido em 30,8% dos casos. Eles admitiram ter bebido em 38,1% dos episódios de VPI, mas elas rebateram que o parceiro estava embriagado em 44,6% dos casos. Vale destacar que apenas um dos parceiros foi entrevistado por domicílio, ou seja, os números não retratam os dois lados da mesma moeda.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Dedicação

"Gosto tanto do trabalho, mas tanto mesmo, que sou capaz de passar horas, só olhando pra ele, sem fazer mais nada. Isso sim é dedicação"

As 10 Torcidas Mais Fanáticas Do Mundo (Reparem bem no 2º colocado)

Piada do ano!


"Pra sempre eu vou te amar,
por toda minha vida eu vou te amar,
em cada ausência sua eu vou te amar,
desesperadamente,
eu sei que vou te amar."

_________Risos_________

Troncho



Sais-te de casa sem nenhum puto
por não haver o que comprar
por acreditar que o apocalipse chegará
e por teus sonhos terem se esvaído, por completo.

quando foste, não carregaras consigo teu amor
nem mesmo meio existia, por já ter-se ido este teu amor;
e disse apenas:- Adeus.
Vazio.
não, não houveram lágrimas, daqueles vazios olhos que lhe diziam adeus.

Por não ter mais lugar; deixou seu lar.
as paredes de lá, deixavam dor e lembranças,
por todo aquele doce e cruel cheiro que guarda as lembranças.
por tudo aquilo que emanava daquele lugar, não podia mais lá ficar.

Chorando
sorriu
Sem rumo
partiu
Sem Destino
rumara

Por não ter mais um amor para o guiar
e por não ter mais nenhum puto,
sequer um mísero puto,
que pudesse o velho amor comprar,
troncho, rumou sem vacilar.

Robson Zanette

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Tapem os ouvidos das crianças.


Crianças, por favor, deixem a sala. Que me perdoem os puros e puritanos, os gregos e os romanos (os americanos não), sem esquecer é claro dos troianos, todos vocês perdoem-me. Os da esquerda que me perdoem e também aqueles lá, da direita. Peço, por gentileza, que possam me perdoar, os novos e os velhos, homens e mulheres. Que me perdoe Deus, por misericórdia, e vá de reto satánas. Que todos possam me perdoar (Com exceção de alguns é claro) . Mas, vá te fuder, seu infeliz. Obrigado e me perdoem, sinceramente.

CRIME!

"Içu sim qui é um crimi, tão açascinando u portuguéis. Se da pra credita? Issu eu num adimitu, di forma auguma, num adimitu. I tenhu ditu, tenhu ditu seu povu!"
Robson Zanette indignado com as "tais" mensagens colocadas por pessoas no MSN.

Pobreza diminui no Brasil, mas patamar ainda é elevado



Por Rodrigo Viga Gaier

RIO (Reuters) - O nível de pobreza no Brasil caiu entre 1997 e 2007, mas continua em um patamar elevado, de acordo com levantamento feito pelo Insituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulgado nesta quarta-feira.

De acordo com a Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE, elaborada com base na Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio (Pnad), a queda na pobreza pode ser verificada pela redução na proporção de brasileiros que viviam em 2007 com rendimento familiar de até meio salário mínimo per capita.

Em 1997, 31,6 por cento das famílias viviam com até meio salário mínimo per capita ao mês, ao passo que em 2007 essa proporção caiu para 23,5 por cento.

Para o presidente do IBGE, Eduardo Nunes, a redução da pobreza reflete a conjunção de vários fatores como o crescimento da economia, a maior formalização do emprego e os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família.

"Mas o número de famílias em condições de pobreza ainda é muito expressivo para a riqueza do país", afirmou Nunes.

O levantamento do IBGE mostrou a existência de um número relevante de famílias no país chefiadas por idosos.

De 1997 até o ano passado subiu de 47,2 para 53 por cento o número de domicílios onde os idosos detêm mais da metade da renda total.

No Nordeste, esse percentual chegou a 63,5 por cento, ante 59,8 por cento em 1997. "O idoso tem um papel de destaque no Brasil. A renda dele tem conexão direta com o salário mínimo, que influencia os benefícios de aposentados", afirmou Ana Lúcia Saboia, coordenadora da pesquisa.

O Brasil tinha no ano passado 19,9 milhões de idosos, o equivalente a 10,5 por cento da população nacional.

Segundo o IBGE, entre 1997 e 2007, a população brasileira cresceu 21,6 por cento sendo que no mesmo período o contigente de idosos aumentou 47,8 por cento.

A taxa de natalidade, que foi de 2,5 filhos por mulher em 1997, caiu para 1,9 filho no ano passado. A esperança de vida cresceu 3,4 anos ao longo da década pesquisada e atingiu 72,7 anos em 2007.

ANALFABETOS NA ESCOLA

Embora a escolarização tenha avançado ao longo destes dez anos, a qualidade do ensino pode ser questionada no Brasil.

A taxa de frequência escolar de jovens entre 7 a 14 anos estava em 97,6 por cento no ano passado, mas boa parte era analfabeta.

Dos 28,3 milhões de jovens nessa faixa etária, 2,1 milhões frequentavam uma escola, mas não sabiam ler e escrever. Desse total, 1,2 milhão de jovens viviam no Nordeste.

"A qualidade do ensino fundamental ainda deixa a desejar quando se vê que mais de 2 milhões não sabem ler e escrever... É algo muito significativo", afirmou a coordenadora da pesquisa.

O Brasil tinha no ano passado 14,1 milhões de analfabetos sendo que 52 por cento estavam no Nordeste. Em 10 anos, o analfabetismo caiu 30 por cento no país, de acordo com o IBGE.

Apesar das políticas de acesso adotadas pelo governo, a pesquisa do IBGE revelou que a distância entre brancos e negros e pardos com formação superior aumentou ao longo destes dez anos.

Em 1997, 9,6 por cento de brancos tinham nível superior completo, patamar que foi elevado para 13,4 por cento no ano passado. Ao mesmo tempo, o percentual de negros e pardos com terceiro grau completou passou de 2,2 para 4 por cento.

"O hiato aumentou mostrando que após uma década a composição racial das pessoas que completaram o nível superior permanece inalterada ou até mais inadequada", afirmou o IBGE.

Segundo o pesquisador José Luís Petrucelli, a política de cotas para negros nas universidades foi adotada por 60 entididades públicas do país, mas o aumento de universitários no Brasil se dá por meio das escolas privadas, onde o acesso de negros e pardos é menor e mais difícil.

De acordo com o levantamento, os brancos representam 25 por cento do estrato dos 10 por cento mais pobres do Brasil, ao passo que somam 86 por cento da parcela de 1 por cento mais rica do país. Por outro lado, os negros e pardos respondem por 74 por cento dos mais pobres e 12 por cento dos mais ricos.

Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/s/reuters/manchetes_ibge_pnad_social_atua

Coisas que fazemos...

TABACARIA



Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

Álvaro de Campos, 15-1-1928

Despedida


Neste momento inicia-se a peregrinação de minha partida.
Parto para novas terras, em busca de nova vida.
A sensação é de extrema tensão, mas não chego a sentir saudade,
Ou titubear diante minha escolha.
Talvez por já não ter em mim as correntes e amarras que outrora ancoravam-me em tais portos.
Deixo-me neste momento a deriva, desejo sentir novos mares, me perder em novos mundos,
Estranho, não vejo lágrimas, talvez por minhas glândulas lacrimais já estarem em óbito.
Tenho tantos segredos e cicatrizes abertas guardadas em tão ínfimo grupo de peles e ossos
Talvez por isso,
Por guardar tanta dor,
Em tão pouco espaço,
Eu parta desta terra, sem sentir dor.

O conhecimento, que tanto mandarem-me buscar, trouxeram uma estranha sensação de insanidade.
Já não vivo, e toda a vivacidade de meu coração,
Fomentada pela inocência infantil da tolice,
Desaparece, como se consumida por vorazes vermes devoradores de sonhos.
Me vêm tal imagem à cabeça, se deixo-me devanear torno-me cúmplice da Senhora depressão,
E, não desejo espreitar-me por tais jardins,
Já o fiz antes, talvez daí derive meus problemas com ópio.
Ó Ópio, que guarda consigo o poder de cura e morte em instantes,
Dois opostos interligados por um fio tão fino e cruel.
É um vício que mente, quem se diz desligar. Guarda-se nas entranhas, até que o túmulo a devore.
E o conhecimento, que tanto mandavam me buscar não trouxer respostas,
Muitos dos mestres partiram cedo, sem respostas.
Seus ensinamentos; nada além de mais questionamento,
Vozes gritantes de um silêncio fúnebre,
Não chegaram a destino algum,
Somente se embrenharam em conjuntos de labirintos insidiosos e intermináveis

Parto destas terras em busca de vida nova, do passado nada desejo levar em bagagem
Mesmo que saiba que não há como apagar as pegadas dos caminhos percorridos,
Quero deles distância, mesmo que medidos, em metros, quilômetros.
Tento assim, reavivar a criança perdida em algum lugar
Desvencilhar-me de tudo que se outrora fora doce e amável,
Pois, a única certeza é; findo tempos bons nada além é do que prenúncio de tempos dolorosos e difíceis.
Tudo se esvai diante Crohnos e todo amor transformasse-a em dor.
Tudo se esvai.

Neste momento inicia-se a peregrinação de minha partida.
Arde em mim o desejo de sentir a doce sensação ilusória do desligamento
Mesmo sabendo que doce é apenas prenúncio de mais dor.
Parto destas terras em busca de vida nova, do passado nada desejo levar em bagagem.
Tantas cicatrizes abertas,
Talvez por isso,
Por guardar tanta dor,
Em tão pouco espaço,
Espaço ínfimo de um grupo de peles e ossos e sonhos,
Eu parta desta terra, sem sentir dor.

Robson Zanette - 2008

Sobre o alucinado ofício do jornalismo

“Pois o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e torná-lo humano por sua confrontação descarnada com a realidade. Ninguém que não a tenha sofrido pode imaginar essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida. Ninguém que não a tenha vivido pode conceber, sequer, o que é essa palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo das primícias, a demolição moral do fracasso. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderá persistir num ofício tão incompreensível e voraz, cuja obra se acaba depois de cada notícia como se fora para sempre, mas que não permite um instante de paz enquanto não se recomeça com mais ardor do que nunca no minuto seguinte."

Gabriel García Márquez (escritor e jornalista colombiano)

Piadinha cretina do dia! (Não da pra rir se alguém não se ferrar, não é mesmo?)

"Por maior que seja o buraco em que você se encontra, pense que, por enquanto, ainda não há terra em cima."

E o jornalista, o que é?

E o jornalista, o que é? Digam agora e sem desculpas, sem avessos, sem culpas, sem pudores, sem ausências, sem pendências: o jornalista, o que é?
O jornalista é este meu vizinho, essa vizinha, que não mora no mesmo lugar que eu. Sim, talvez seja este meu vizinho que levantou cedo, colocou seu terno bacanudo e foi trabalhar numa grande empresa e ganhar um salário enorme e eu, quando vejo o jornalista bacanudo, fico pensando que eu podia ter sido jornalista, ter estudado muito-muito jornalismo e hoje não me preocupar com o ônibus cheio que vou pegar daqui a pouco e trabalhar sem pensar em palavrões como a inflação, a crise da macro-economia, as palavras bonitas e cheias, porque para mim a barriga é aquela que anda vazia, o boneco é aquele feito do Judas que a gente queima na hora que tem que queimar e o furo é esse oquinho que uma bala de 38 fez na testa daquele menino que os prepostos do glorioso exército brasileiro entregaram para uns traficantes lá no alto, lá no alto, mas lá no alto mais alto mesmo do morro, do céu. Mas e o jornalista, o que é? Digam agora e com coragem, com meios e fins, com vontades, com descaro, indecentemente dizendo o que é, o jornalista, o que é?

O jornalista é esse sujeito ou essa sujeita que acordou cedo e também foi trabalhar numa grande empresa, só para ganhar o salário de poder pagar a universidade que ele está fazendo noturnamente e contra muitas expectativas. Então, esse não é ainda o jornalista, mas é o futuro jornalista que sai para trabalhar em companhias telefônicas, em enormes, enormes e mais enormes ainda instituições financeiras, em laboratórios de remédios, sempre ou quase sempre como estagiário, ganhando uma grana que é pra pagar a universidade e uma cervejinha depois da última aula e um bombonzinho que a colega vende em sala pra ajudar nas despesas, pra ajudar a mãe, o pai, os irmãos, só pra um dia todos eles poderem colocar uma roupa bonita, uma roupa a mais bacanuda que existe, mandada especialmente fazer para a ocasião, e irem bater palmas, assoviar, gritar, berrar, trazendo faixas e soltando confetes, soprando apitos estridentes e ficando muito felizes, mas muito felizes mesmo porque aquele sujeito ou aquela sujeita que antes acordava cedo e ia trabalhar de estagiário, de simples estagiário num banco, numa companhia telefônica ou num laboratório de remédios, agora, esse sujeito não vai ser mais um reles estagiário e está aí, saiu hoje cedinho com o currículo debaixo do braço e até o fim do dia, até o fim da semana, até o fim do mês, até o fim do ano, até o fim da vida, se Deus quiser, esse sujeito, essa sujeita, eu, tu, ele, ela, nós, vós, elas, eles arrumaremos um emprego que é pras coisas continuarem globalizadamente certas, vivendo o paradoxo intransponível de mudarem para continuar sempre, sempre, sempre no mesmo lugar.

Então, digam agora, com a sinceridade possível, com a dor agüentável, com o choro legítimo, com a fala embargada, a emoção sem limites, o medo, o medo, o medo, digam: o jornalista, o que é?

É esse arcanjo que, há três dias, há não sei quantos dias, saiu apaixonado investigando bandidos, mas esses bandidos descobriram que ele estava investigando, e, então, esses malucos pegaram esse arcanjo e torturaram, espancaram, bateram muito, cortaram os pés, as mãos, botaram fogo e deixaram queimar. E o corpo desse arcanjo queimou tanto e as cinzas e as fumaças voaram tão alto que muitos outros sujeitos e sujeitas quiseram também ser arcanjos e arcanjas só para não deixar de lembrar nunca de dois Vladimires: um jornalista, jornalista, sempre jornalista, que também morreu porque acreditava; e outro poeta, poeta, ininterruptamente poeta, que dizia querer “brilhar para sempre, brilhar como um farol, brilhar com brilho eterno, gente é pra brilhar, que tudo o mais vá pro inferno, este é o meu slogan e o do sol”.

Então, digam. Pelo amor de Deus, digam logo: o jornalista, o que é? Pelo amor dos slogans, pelo amor dos sóis, pelo amor dos brilhos eternos, das girafas e dos micos-leões-dourados que estão acabando, pelo amor das ladeiras de Ouro Preto, pelo amor dos anjos e dos arcanjos, dos rouxinóis que cantam futuros repletos de furacões, pelo que está escrito em Jó e Eclesiastes, pelo que está dito em Rubem e Nélson também, pelo perseguido e pelo perseguidor, pelo palhaço adormecido perto das estrelas com um cachorrinho lambendo seu rosto, pelos que morrem e pelos que vivem, pelos que têm e pelos que não têm razão. Digam, digam logo: o jornalista, o que é?

Ah, sim. Talvez o jornalista seja esse sujeito que escreve, que escreve porque tem que escrever, porque precisa escrever, que escreve para ser ele próprio escrito, que sacrifica, que grita, que berra, que fala baixinho para o outro não acordar, que expulsa os comerciantes do templo, que acolhe os amigos com beijos na testa, que perdoa os inimigos quando eles merecem, que chora, que chora, que chora, que ri, que tem medo, que vai adiante, que vem aquém, que vai além, que importa, que respira, que transpira, que suspira, que assume, que se levanta, que se levanta agora neste mesmo momento e diz: -Sim, sou eu esse sujeito, sou eu esse homem, essa mulher, que está aqui agora, que está aqui agora com o coração suspenso, com os corações ao alto, sou eu esse sujeito que está aqui agora para assumir o que tiver que ser assumido, sou eu esse pobre, sou eu esse negro, sou eu esse gay, sou eu esse gordo, sou eu esse magro, sou eu essa diferença, sou eu essa oposição, sou eu esse feio, sou eu esse guapo, sou eu esse desajeitado, sou eu esse impaciente, sou esse inconformado, sou eu essa diversidade, sou eu esse mendigo, sou eu esse povo, sou eu essa dor, sou eu esse medo, sou eu esse ímpeto, sou eu essa vontade, sou eu essa esperança, sou eu essa verdade, sou eu essa busca, sou eu esse amor.

Sim, sou eu esta Alessandra, sou eu este Alisson, sou eu esta Ana Paula, sou eu este André, sou eu esta Antisa, sou eu esta Ariane, este Bruno, somos nós estas Camilas, sou eu este Cássio, esta Cláudia, esta Cristiane, sou eu este Edmundo, esta Emile, esta Emmanuelle, esta Fabiana, esta Fabrícia, esta Fernanda, esta Flávia, sou eu este Hudson, esta Jordânia, esta Laura, sou eu este Lázaro, este Leandro, esta Lidiane, somos nós estas Lívias, sou eu este Lucas, esta Luciene, esta Ludmila, este Marcos, esta Maria Letícia, esta Nilde, esta Patrícia, este Peterson, esta Poliana, esta Priscila, esta Rita, este Robson, este Samuel, esta Sandreane, esta Sheila, este Vinicius. Sim, sou eu esse povo, sou eu essa dor, sou eu esse medo, sou eu esse ímpeto, sou eu essa vontade, sou eu essa esperança, sou eu essa verdade, sou eu essa busca, sou eu esse amor.

Então, respondam, respondam logo e sem perder um único segundinho sequer: o jornalista, o que é?

Texto de Edmundo Novaes Gomes